segunda-feira, julho 20

Vorcaro tem mal-estar na superintendência da PF em Brasília e pode ser encaminhado para exames médicos

Na última terça-feira (21), o banqueiro Daniel Vorcaro foi submetido a uma avaliação médica após relatar um mal-estar enquanto estava na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde permanece detido. A situação foi tratada no próprio local e, conforme informações obtidas pela defesa, a Polícia Federal classificou o episódio como uma “condição clínica” sem gravidade.

Possibilidade de exames hospitalares

Fontes próximas ao empresário indicam que ele pode precisar realizar exames adicionais em um hospital nos próximos dias. Para que isso aconteça, será necessária a autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que emitiu a ordem de prisão no caso.

Interrupção nas visitas

Vorcaro ficou cinco dias sem receber a visita de seus advogados. Esse período começou na sexta-feira (17), quando a Superintendência da PF passou por um processo de dedetização, e se estendeu até terça-feira (21), feriado em homenagem a Tiradentes.

Tratativas de delação

O banqueiro espera que as negociações para um acordo de colaboração premiada avancem. Ele já firmou um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR), que é uma etapa preliminar antes da eventual formalização da delação. Este é o primeiro procedimento desse tipo realizado em conjunto pela PF e pela PGR, segundo relatos de pessoas envolvidas no processo.

Contexto da Operação Compliance Zero

Vorcaro está sob custódia desde 4 de março, como parte da Operação Compliance Zero, com ordem do ministro André Mendonça. O banqueiro é acusado de tentar obstruir as investigações relacionadas ao Banco Master, instituição que ele fundou e controlou até novembro do ano passado, quando foi liquidada pelo Banco Central.

Cenário político e judicial

A situação envolvendo Vorcaro intensificou uma crise institucional no STF. Ministros como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes foram mencionados em relação a negócios que envolvem pessoas ligadas ao banqueiro. Um dos episódios mencionados é a aquisição do resort Tayayá, vinculado a Toffoli, por um fundo associado a Vorcaro — fato que gerou uma série de vídeos do pré-candidato Romeu Zema e levou Gilmar Mendes a solicitar a inclusão de Zema no inquérito sobre fake news.

Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Impactos financeiros e responsabilidades

A liquidação do Banco Master resultou em um passivo bilionário em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) vendidos aos investidores, muitos deles adquiridos através de cooperativas e fundos previdenciários. A definição sobre o destino dos ativos da instituição ainda está pendente. Caso a delação de Vorcaro seja formalizada, ela poderá envolver figuras do âmbito político e judiciário.

Até o momento, as autoridades não consideraram alarmante o episódio relacionado à saúde do banqueiro; sua defesa foi informada e está acompanhando seu estado clínico. Informações adicionais sobre a condição de Vorcaro não foram divulgadas pela Polícia Federal até o fechamento desta edição.

Com informações extraídas por meio das apurações realizadas.