
Uma equipe de pesquisadores no Amazonas fez uma revelação significativa ao identificar vestígios arqueológicos com mais de 3 mil anos em uma zona do Centro Histórico de Parintins, situada no interior do estado. A descoberta aconteceu durante um trabalho de campo realizado por acadêmicos e docentes do curso de arqueologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
Vestígios arqueológicos com mais de 3 mil anos foram encontrados no Centro Histórico de Parintins – Foto: Jean Beltrão/Rede Amazônica
As escavações foram realizadas em novembro do ano anterior, em um bairro residencial chamado Francesa. Após as investigações laboratoriais, os pesquisadores conseguiram identificar cerâmicas pertencentes à tradição Pocó-Açutuba, que estão ligadas aos primeiros grupos ceramistas da Amazônia.
Entre os itens descobertos estão fragmentos de utensílios decorativos, alargadores e ferramentas utilizadas pelos indígenas que viveram nesta região há milhares de anos. Os arqueólogos afirmam que várias das pequenas pedras achadas são, na verdade, restos de instrumentos fabricados e utilizados por antigas populações nativas.
Além disso, foram encontrados indícios de materiais utilizados na confecção de peças menores, como colares, pingentes e ferramentas para perfuração de rochas.
“Os vestígios estavam presentes em todos os níveis do solo que removemos junto com a cerâmica, evidenciando o domínio sobre uma indústria lítica”, comentou um dos pesquisadores envolvidos na investigação, enfatizando a produção artesanal das ferramentas.
Esses vestígios fazem parte de uma área já mapeada desde 2018 e se inserem em um dos 42 sítios arqueológicos registrados em Parintins. Os especialistas ressaltam que a quantidade dos materiais coletados sugere uma ocupação humana significativa na região.
“À medida que avançamos nas escavações utilizando técnicas arqueológicas adequadas, percebemos que havia uma grande concentração populacional”, declarou o pesquisador responsável pelas análises.
Os artefatos coletados foram organizados e estão guardados no campus da UEA em Parintins, onde passarão por novas avaliações laboratoriais.
No mês de maio, especialistas em arqueologia da Amazônia planejam retornar à área para aprofundar os estudos e promover a formação de novos pesquisadores, além de estimular investigações arqueológicas adicionais na ilha.
