sexta-feira, outubro 30

Renato Cariani enfrenta acusações de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, com pena potencial de até 51 anos

O empresário e influenciador fitness Renato Cariani foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por suspeitas de associação ao tráfico de drogas, tráfico de substâncias utilizadas na fabricação de entorpecentes e lavagem de dinheiro. A aceitação da denúncia pela Justiça paulista determinará o início do processo penal. Se condenado, Cariani poderá enfrentar penas que variam de 16 a 51 anos de reclusão, embora atualmente esteja respondendo ao processo em liberdade.

A investigação aponta que Cariani estaria envolvido em um esquema que desviava produtos químicos usados na produção de drogas como cocaína e crack. Além dele, o MP-SP também busca responsabilizar os empresários Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos delitos, alegando a participação deles no esquema criminoso.

Desvio de produtos químicos em investigação

Renato Cariani foi um dos alvos da Operação Hinsberg, que foi deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2023 para investigar um suposto desvio de insumos químicos destinados à produção de drogas.

Na ocasião, a Polícia Federal revelou que uma das empresas nas quais Cariani era sócio, a Anidrol Produtos para Laboratórios, localizada em Diadema, Grande São Paulo, teria fraudado registros relacionados à venda de substâncias químicas. As investigações indicam que esses produtos eram formalmente vendidos a empresas farmacêuticas, mas parte das mercadorias foi desviada para o refino de cocaína.

Segundo informações do MP-SP, a empresa teria simulado vendas em 59 ocasiões diferentes. A acusação afirma que pedidos fictícios foram utilizados como justificativa para a saída das substâncias químicas do estoque.

As investigações tiveram início em 2019 após a farmacêutica AstraZeneca contatar o Ministério Público para relatar que não reconhecia algumas movimentações registradas em notas fiscais emitidas pela Anidrol no ano de 2017.

Mensagens revelam possíveis irregularidades

Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) mencionaram mensagens encontradas no celular de Cariani como parte das provas reunidas na investigação.

A acusação destaca que o empresário mantinha uma relação próxima com o policial civil André Dziuba, responsável pela fiscalização e controle dos produtos químicos. As mensagens sugerem que Cariani recebia informações sobre operações policiais e discutia estratégias relacionadas à fiscalização.

Para o Gaeco, essas interações levantam suspeitas sobre a possibilidade de Cariani ter atuado para proteger o grupo investigado e prejudicar concorrentes comerciais.

A promotoria também menciona uma conversa datada de 11 de abril de 2019, onde Cariani supostamente afirmou que uma determinada substância poderia aumentar a eficácia da cocaína. As mensagens são vistas como indícios do conhecimento dele sobre as potenciais utilizações ilícitas dos produtos químicos envolvidos.

Todas essas evidências formam a base da tese apresentada pela acusação e serão analisadas pela Justiça durante o processo.

Cariani como intermediador financeiro

Outro investigado, Fábio Spindola Mota, é considerado um dos responsáveis pelas movimentações financeiras ligadas à Anidrol. De acordo com as apurações, ele teria feito depósitos em dinheiro na conta da empresa e participado ativamente das negociações envolvendo os produtos químicos.

A investigação ainda revela que Fábio criou um endereço eletrônico falso em nome de um suposto funcionário da AstraZeneca para simular transações relacionadas à compra dos insumos.

Além disso, ele teria atuado como intermediário no fornecimento das substâncias químicas, negociando entregas destinadas ao tráfico conforme apontam as acusações.

O Ministério Público sustenta que todos os três investigados estão implicados no esquema criminoso e pede responsabilização legal pelos crimes citados na denúncia. A decisão sobre o recebimento da acusação ficará a cargo da Justiça.

Perfil do influenciador Renato Cariani

Com 50 anos, Renato Cariani é amplamente reconhecido por sua atuação no setor fitness e por produzir conteúdo relacionado à musculação, nutrição e treinamento físico. Ele também atua no mercado de suplementos e produtos voltados para laboratórios.

No Instagram, Cariani conta com mais de 11 milhões de seguidores e cerca de 8 milhões no YouTube, onde compartilha vídeos sobre atividades físicas, alimentação saudável e fisiculturismo.

Em suas redes sociais, ele se apresenta como professor de química, profissional da educação física, atleta e criador de conteúdos diversos.

Ainda aguardando análise judicial em São Paulo, o caso poderá ter novos desdobramentos conforme a Justiça decida sobre a aceitação ou não da denúncia apresentada pelo MP-SP. Até uma decisão final ser alcançada, os envolvidos são considerados inocentes perante a lei.