
Embora os acidentes de trânsito tenham um impacto significativo na produtividade, logística, saúde pública e despesas operacionais, as iniciativas para melhorar a segurança viária progridem de forma lenta entre governos e empresas. Especialistas ressaltam a carência de ações integradas, um uso sistemático de dados e monitoramento contínuo como fatores essenciais para uma redução eficaz nas fatalidades.
Um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que anualmente cerca de 1,19 milhão de pessoas perdem a vida em acidentes viários em todo o mundo, com entre 20 milhões e 50 milhões sofrendo ferimentos. No Brasil, as mortes relacionadas ao trânsito aumentaram 6,5% entre 2023 e 2024. Apesar desse cenário alarmante, as iniciativas voltadas à prevenção ainda são realizadas de forma dispersa na maioria das cidades e instituições.
Os principais obstáculos incluem a fraca colaboração entre órgãos públicos, empresas e a sociedade civil, além da dificuldade em aplicar inteligência de dados para antecipar riscos e direcionar ações preventivas. A falta de monitoramento constante dos indicadores também compromete a eficácia das medidas destinadas à segurança no trânsito.
A aplicação prática
A tecnologia, incluindo a inteligência artificial, surge como uma das soluções mais promissoras para aumentar a capacidade de prevenir acidentes e salvar vidas. Ferramentas preditivas estão sendo implementadas para auxiliar entidades públicas na identificação de áreas com maior risco de acidentes, integrando dados históricos com fatores causais e considerando variáveis como clima, eventos esportivos e o fluxo do tráfego.
Um exemplo dessa abordagem inovadora é o Portal da Segurança Viária desenvolvido pela Fundação AB InBev. Essa plataforma preditiva foi criada para ajudar órgãos públicos na detecção de áreas perigosas. Em validações realizadas em cidades como São Paulo e Belo Horizonte, os modelos que utilizam machine learning demonstraram uma precisão próxima a 80% na identificação de regiões propensas a acidentes.
“Os dados indicam que ações isoladas têm pouco impacto se não há um entendimento dos efeitos sistêmicos sobre a dinâmica do tráfego ou se não são acompanhadas por monitoramento contínuo e integração entre diferentes setores. Observamos que uma gestão estruturada aliada ao monitoramento das intervenções e ao engajamento dos agentes de trânsito aumenta significativamente a capacidade de reduzir acidentes e salvar vidas”, afirma Vinicius Brum, vice-presidente da unidade da Falconi focada em Serviços Públicos.
Um modelo que exemplifica essa estratégia é o “Programa Road Safety”, uma iniciativa global da Fundação AB InBev em parceria com a Falconi. Este projeto está presente em 34 localidades ao redor do mundo, visando diminuir as fatalidades no trânsito através de ações baseadas em dados, fortalecimento da governança e uso de tecnologia para prevenção.
O programa já teve um impacto positivo em milhares de vidas e gerou economia superior a centenas de milhões de dólares nas localidades atendidas. Com mais de 113 intervenções realizadas globalmente e mais de 20 práticas compartilhadas entre os países envolvidos, foi criada uma rede colaborativa que promove o intercâmbio de conhecimentos entre mais de 100 entidades responsáveis, incluindo governos, ONGs e empresas privadas. “A inteligência artificial amplia nossa capacidade preventiva. Atualmente conseguimos prever riscos, identificar padrões críticos e apoiar intervenções antes que os acidentes ocorram. A tecnologia tornou-se um aliado crucial na preservação de vidas e na otimização das operações ao garantir um uso mais eficiente dos recursos públicos para resolver problemas sociais”, conclui Brum.
O progresso na segurança viária permanece lento entre governos e empresas, apesar das consequências econômicas e sociais / Foto: Divulgação
