
Pesquisas divulgadas pela NASA mostram que o Saara, hoje o maior deserto quente do planeta, passou por períodos em que foi coberto por vegetação e lagos e pode retornar a esse estado dentro de milhares de anos. Cientistas explicam que esse ciclo está ligado a variações orbitais da Terra que afetam o padrão de chuvas no norte da África.
O que é o ciclo e quando acontece
Segundo o estudo da NASA, o chamado ciclo verde do Saara faz com que a região alterne entre fases áridas e úmidas em escalas de aproximadamente 21 mil anos. Essas oscilações são atribuídas à precessão da Terra, que modifica a orientação do eixo e, por consequência, a intensidade das monções no hemisfério norte.
Provas geológicas e arqueológicas
Vários indícios confirmam que o Saara já foi muito mais úmido. Arqueólogos e geólogos encontraram sedimentos marinhos e fósseis de peixes em áreas que hoje são dunas, além de evidências de grandes corpos d’água como o antigo Lago Chade, que foi consideravelmente maior no passado. Imagens de satélite revelaram redes de rios hoje enterradas sob a areia, vestígios que apontam para corredores hídricos capazes de sustentar fauna e flora abundantes.
Também foram documentadas pinturas rupestres que mostram girafas, crocodilos e caçadores, depósitos de pólen de plantas tropicais em camadas profundas do solo e poeira rica em fósforo que viaja do Saara até a Amazônia brasileira. Esses elementos formam o conjunto de evidências que atesta as mudanças ambientais ocorridas na região.
Linhas do tempo importantes
As reconstruções climáticas indicam que, há cerca de 15.000 anos, o Saara viveu seu “ápice verde”, com savanas, grandes lagos e chuvas regulares. Por volta de 5.000 anos atrás ocorreu uma transição para condições mais áridas, processo que levou à desertificação acelerada. Os pesquisadores calculam que o próximo retorno a uma fase úmida expressiva deve ocorrer em aproximadamente 12.000 anos, quando o ciclo orbital favorecer novamente o aumento das monções.
Como a órbita influencia as chuvas
Os cientistas explicam que a precessão orbital altera o ângulo e o momento em que a luz solar incide sobre o hemisfério norte, criando um gradiente térmico que atrai massas de ar úmidas do oceano para o interior do continente. Quando o verão do hemisfério norte coincide com o periélio, as monções se intensificam, permitindo a rápida colonização vegetal de solos hoje arenosos.
Imagem: Divulgação
O fim do período úmido há cerca de 5.000 anos forçou migrações humanas em direção ao Vale do Nilo e contribuiu para o surgimento da civilização egípcia. A rápida transformação do ambiente natural também isolou comunidades e alterou permanentemente o ecossistema regional. Atualmente, a poeira do Saara desempenha papel climático global ao transportar nutrientes que chegam até a Amazônia.
As estimativas sobre os ciclos do Saara são obtidas por meio de análises de isótopos em cavernas e depósitos oceânicos, que permitem mapear os picos de umidade ocorridos no passado e projetar mudanças em escala milenar.
Com informações de Olhardigital
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