domingo, julho 19

Carbono Oculto em Foco: Nova Etapa Investiga Quadrilha no Setor de Combustíveis

Operação Fluxo Oculto: Mandados em massa e fintechs investigadas em transações de R$ 26 bilhões

Avanço das investigações da Carbono Oculto revela um suposto esquema criminoso envolvendo dinheiro, nafta e postos de combustíveis

Na manhã desta quinta-feira (28), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo iniciou a Operação Fluxo Oculto, uma continuação das investigações que começaram com a Carbono Oculto. A operação, realizada em colaboração com a Receita Federal, a ANP, a Secretaria da Fazenda, a Procuradoria-Geral do Estado e as polícias Militar e Civil, resultou no cumprimento de 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados. As ações ocorreram em locais como Barueri, Santos, São José do Rio Preto, Sorocaba e diversas áreas da capital paulista, incluindo a famosa região da Faria Lima. Aproximadamente 135 servidores da Receita Federal e equipes dos órgãos associados participaram das operações.

Foco nos “bancos paralelos” e na fraude com nafta

A investigação se concentra em duas áreas principais. A primeira envolve a identificação de seis fintechs que teriam atuado como uma rede financeira paralela para facilitar compensações internas entre distribuidoras, postos de gasolina e empresas ligadas ao grupo sob investigação. Entre os nomes mencionados nos mandados estão Ceopag, Sispay, Smart Solutions, Yaw e a gestora Ello. Consta nas apurações que essas plataformas movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre os anos de 2022 e 2025. Existe ainda evidência de depósitos em espécie que não se coadunam com suas atividades declaradas, utilização de “contas bolsão” para dispersar recursos e transferências para criptoativos que somam pelo menos R$ 365 milhões.

A segunda área da investigação foca um esquema relacionado ao desvio de nafta petroquímica — matéria-prima essencial para a indústria química — que estaria disfarçado como vendas de solventes para empresas fictícias. Esse produto era direcionado a terminais onde era misturado com combustíveis automotivos antes de ser entregue a postos vinculados ao grupo investigado. Este tipo de fraude fiscal teria gerado um prejuízo tributário estimado em cerca de R$ 200 milhões ao longo de dois anos. Para encobrir essa operação, os investigadores identificaram a criação sistemática de empresas fantasmas, uso de laranjas e até pessoas vulneráveis ou encarceradas como sócios formais.

Imagem: Divulgação

Além das evidências relacionadas às fintechs e ao desvio do produto químico, os procuradores também investigam um núcleo composto por fundos e gestoras que levantam suspeitas — com um patrimônio declarado próximo a R$ 205 milhões e crescimento acelerado em um intervalo curto. Práticas associadas à lavagem de dinheiro foram observadas, incluindo múltiplas contas bancárias, transferências entre diferentes instituições financeiras e pagamentos voltados para cobrir despesas pessoais dos envolvidos nas operações. Essa ação amplia o entendimento sobre o que as autoridades classificam como um “ecossistema criminoso” no setor dos combustíveis e continua em andamento; novas diligências e análises técnicas estão previstas para aprofundar as investigações sobre as conexões financeiras e os responsáveis envolvidos.