quinta-feira, outubro 15

Autazes sob investigação: MPAM apura possíveis incêndios intencionais após declaração de emergência ambiental

Um inquérito civil foi aberto pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) para investigar as razões por trás dos incêndios florestais que ocorreram em Autazes, no interior do estado, entre os dias 11 e 13 de outubro de 2026. O MP também solicitou que o prefeito Thomé Neto esclareça se a administração municipal deu autorização para queimadas no município durante o mês de setembro e o início de outubro deste ano.

A investigação teve início na terça-feira (13), em um cenário onde os focos de queimadas se intensificaram e a qualidade do ar sofreu uma drástica deterioração. A meta principal é descobrir quem pode ser responsabilizado pelos incêndios, avaliar os danos ambientais causados e exigir ações das autoridades encarregadas da fiscalização e da segurança pública.

A abertura do inquérito se deu após Autazes ter declarado estado de emergência ambiental, sanitária e agropecuária válido por 90 dias. Informações do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) sugerem que alguns dos incêndios podem ter sido iniciados intencionalmente.

No mesmo dia em que o inquérito foi instaurado, a Promotoria de Justiça de Autazes, coordenada pelo promotor Carlos Firmino Dantas, realizou uma reunião com representantes do Corpo de Bombeiros para debater estratégias no combate ao fogo.

Conforme relatado pelo promotor, um procedimento extrajudicial já está sendo conduzido há três meses para monitorar as ações tomadas no município. Ele enfatizou que várias instituições estão mobilizadas para encontrar e responsabilizar aqueles que possam ter causado os incêndios.

Autazes possui mais de 30 bombeiros militares atuantes, além de veículos destinados ao combate a incêndios e suporte aéreo proveniente de órgãos estaduais, municipais e federais. O MP também planeja examinar as medidas necessárias para responsabilizar judicialmente os envolvidos.

MP requisita informações a órgãos ambientais e policiais

<pComo parte das investigações, o MPAM enviou ofícios à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e às polícias Federal e Civil.

Esses órgãos têm um prazo de 30 dias para relatar as ações tomadas em relação aos incêndios ocorridos em Autazes entre 11 e 13 de outubro.

A investigação busca definir a área afetada, identificar a origem dos incêndios, analisar a gravidade dos danos ambientais e verificar a possível participação de responsáveis. Medidas administrativas e investigativas poderão ser implementadas conforme as competências de cada órgão envolvido.

O prefeito Thomé Neto foi solicitado a informar em até 10 dias se houve concessão pela administração municipal para queimadas nos meses de setembro e outubro de 2026. Caso existam documentos que comprovem essa autorização, ele deve encaminhar cópias ao Ministério Público.

Autazes declara emergência devido às queimadas

A abertura do inquérito coincide com o crescente número de incêndios florestais, levando a prefeitura a declarar situação de emergência por um período de 90 dias. A fumaça gerada pelas queimadas obscureceu partes da cidade, prejudicando a visibilidade e causando problemas respiratórios na população local.

O Decreto Municipal nº 075, datado de 11 de outubro de 2026, também determinou a suspensão das aulas presenciais nos dias 13 e 14 (terça-feira e quarta-feira), além da implementação intensificada das medidas contra os incêndios e proteção à saúde pública.

No dia da declaração da emergência, um grande incêndio atingiu uma área vegetal no bairro Jair de Menezes. Registros feitos por moradores mostraram as chamas se alastrando na região, acompanhadas por uma densa nuvem de fumaça sobre Autazes.

Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas para conter o fogo e evitar que ele se espalhasse para residências nas proximidades.

O sargento Nascimento, do CBMAM, indicou que havia indícios da possibilidade do incêndio ter sido iniciado deliberadamente. Ele relatou que sua equipe foi acionada por um cidadão que se dirigiu ao quartel para comunicar o ocorrido.

O prefeito Thomé Neto declarou que o município mobilizou caminhões, picapes e aeronaves para auxiliar nas operações contra as queimadas. Além disso, anunciou que a Polícia Ambiental estaria chegando para reforçar a fiscalização e investigar eventuais crimes relacionados aos incêndios.

Autazes lidera em focos de queimadas no Amazonas

Dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelaram que Autazes registrou 139 focos ativos entre sexta-feira (10) até a manhã da terça-feira (13). Esse número posicionou o município como líder no ranking estadual durante esse período.

Na sequência estão Itacoatiara com 59 focos; Novo Aripuanã com 42; e Manaquiri com 38 registros.

Os dados também indicam uma alteração na distribuição das queimadas no estado. Embora o sul historicamente tenha concentrado grande parte das ocorrências, agora municípios na Região Metropolitana de Manaus e na região do Baixo Amazonas também enfrentam um aumento significativo nos incêndios.

O comandante-geral do CBMAM, Orleilso Muniz, destacou que a criação de bases fixas do Corpo de Bombeiros no sul do estado tem contribuído para uma maior presença das equipes nessa área. Ele observou ainda que neste ano os focos têm impactado severamente outras regiões do Amazonas.

Ibama intensifica operações contra queimadas

Diante da escalada dos incêndios florestais, o Ibama informou ter notificado previamente 725 propriedades rurais sobre o elevado risco relacionado à propagação das chamas. As equipes estão realizando vistorias para assegurar que as medidas preventivas sejam seguidas; alguns responsáveis já foram autuados por não cumprirem as determinações estabelecidas.

A força-tarefa federal foca suas ações em municípios considerados críticos como Autazes, Careiro da Várzea, Parintins e Itacoatiara.

No dia 13, o instituto comunicou que conseguiu extinguir 292 incêndios no Amazonas entre junho e outubro deste ano e suas equipes continuam atuando contra outros oito focos ativos.

Para fortalecer essas operações foram mobilizadas onze aeronaves incluindo aviões especializados no combate ao fogo, helicópteros e aeronaves destinadas ao apoio logístico.

As investigações conduzidas pelo Ministério Público continuam avançando na busca por elucidar as causas dos incêndios em Autazes, identificando potenciais responsáveis enquanto avaliam os danos ambientais resultantes dessas ocorrências.