
Após a morte da influenciadora Maria Eduarda Alves dos Santos, a Duda Alves, de 22 anos, mensagens de cunho sexual, misógino e ofensivo começaram a circular nas redes. Em um dos posts, publicado sobre imagem do velório, um perfil chega a sugerir vilipêndio ao corpo da jovem. A reação de internautas foi imediata: indignação e pedidos de investigação.
Duda, que se apresentava como “a menina que odeia as coisas”, acumulava mais de 745 mil seguidores no TikTok (números mais recentes apontam cerca de 762 mil) e milhões de curtidas com vídeos de humor, rotina com amigos e o namorado, e desabafos sinceros. Publicitária e jornalista, ela morava em Brasília.
O velório ocorreu na terça-feira (15/9) na Paróquia São João Paulo II. A Polícia Civil do Distrito Federal investiga as circunstâncias da morte. A causa oficial não foi divulgada pela família.
Nas últimas semanas, ela havia compartilhado a recuperação de uma cirurgia de redução de mamas (mastopexia) e reclamado de comentários maldosos, especialmente de homens, sobre o próprio corpo. O último vídeo foi publicado por volta de 10 de setembro.

O que a lei diz
Vilipêndio a cadáver é crime previsto no artigo 212 do Código Penal: desrespeitar, ultrajar, ofender ou ridicularizar um cadáver ou suas cinzas. A pena é de detenção de 1 a 3 anos, além de multa. Dependendo do caso, outras tipificações também podem ser analisadas pelas autoridades.
Situações parecidas já aconteceram. Depois das mortes da cantora Marília Mendonça, em 2021, e do cantor Gabriel Diniz, em 2019, conteúdos ofensivos e imagens relacionadas aos corpos circularam. Em 2023, André Felipe de Souza Alves Pereira foi condenado a mais de dois anos de prisão por divulgar links que levavam a fotografias dos corpos dos dois artistas. O juiz Max Abrahão Alves de Souza entendeu que o réu agiu com “inequívoco objetivo de humilhar e ultrajar os referidos mortos”.
Por que isso importa agora
Comentar o corpo de uma mulher morta, sexualizá-la ou brincar com a ideia de ultraje não é “liberdade de expressão”. É desrespeito à memória dela, à dor da família e, em muitos casos, conduta que a Justiça já reconheceu como crime. Compartilhar ou dar visibilidade a esse tipo de conteúdo também ajuda a espalhar o dano.
Duda Alves era uma jovem de 22 anos que viralizou falando do cotidiano com humor ácido e autenticidade. Merece luto, não escárnio.
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