quinta-feira, julho 23

Caso Djidja: Justiça reverte decisão e impõe nova condenação a sete réus, entre eles mãe e irmão da ex-sinhazinha

Nesta quarta-feira (22/7), o Tribunal de Justiça do Amazonas proferiu uma sentença condenando sete indivíduos por envolvimento em tráfico de cetamina em Manaus. Entre os réus estão Cleusimar Cardoso Rodrigues e Ademar Farias Cardoso Neto, mãe e irmão da ex-sinhazinha do Boi Garantido, Djidja Cardoso, cuja morte foi registrada em maio de 2024.

A juíza Roseane do Vale Jacinto Cavalcante, da 3ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes (Vecute), estabeleceu penas que variam entre 8 anos e 6 meses a 10 anos e 11 meses de detenção.

Conforme a decisão judicial, o grupo utilizava a rede de salões de beleza Belle Femme e a seita religiosa conhecida como “Pai, Mãe, Vida” para distribuir e aplicar a droga de maneira indiscriminada. A cetamina, um anestésico veterinário com efeitos alucinógenos, era obtida a partir de uma clínica veterinária.

Esta nova sentença foi emitida exatamente dez meses após a anulação de uma condenação anterior relacionada ao mesmo caso pela Justiça. O Ministério Público havia identificado irregularidades na condução do processo, solicitando assim o retorno à primeira instância. Após a regularização das evidências periciais, a Justiça considerou haver provas suficientes para sustentar as acusações e responsabilizar os réus.

Imagem: Divulgação

As penas impostas foram as seguintes:

  • Cleusimar Cardoso Rodrigues (mãe de Djidja): 10 anos e 11 meses em regime fechado, sendo identificada como a principal líder da associação criminosa.
  • Ademar Farias Cardoso Neto (irmão de Djidja): 10 anos e 11 meses em regime fechado, atuando como o “braço executivo” do esquema.
  • José Máximo Silva de Oliveira (veterinário proprietário da clínica MaxVet): 10 anos e 4 meses em regime fechado, responsável pelo fornecimento da substância.
  • Hatus Moraes Silveira (personal trainer): 10 anos e 5 meses em regime fechado, intermediando as operações logísticas.
  • Verônica da Costa Seixas (gerente): 10 anos em regime fechado, auxiliando na aquisição e ocultação dos materiais envolvidos.
  • Sávio Soares Pereira (funcionário da clínica veterinária): 9 anos em regime semiaberto, responsável pelas negociações via WhatsApp.
  • Bruno Roberto da Silva Lima (ex-namorado de Djidja): 8 anos e 6 meses em regime fechado, colaborando na logística de compra e incentivando o consumo da droga.

Enquanto Cleusimar, Ademar, José Máximo e Hatus terão suas prisões preventivas mantidas sem possibilidade de recorrerem em liberdade, Verônica, Sávio e Bruno poderão apelar enquanto cumprem medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica.
Três réus foram absolvidos por falta de provas contundentes: Emicley Araújo Freitas (motoboy), Claudiele Santos da Silva (maquiadora) e Marlisson Vasconcelos Dantas (maquiador).

Funcionamento do esquema

A Operação Mandrágora revelou que a cetamina era adquirida ilegalmente na clínica veterinária MaxVet pelo grupo investigado. A substância era utilizada durante rituais da seita “Pai, Mãe, Vida”, onde líderes convenciam funcionários e próximos que o uso da droga proporcionava “cura espiritual” e “elevação”.
Embora seja um anestésico veterinário originalmente destinado a animais, a cetamina estava sendo administrada em humanos em doses perigosas. Relatos indicaram casos de cárcere privado e abusos sexuais contra pessoas sob efeito da droga.

Operação Mandrágora: PC-AM prende membros de seita religiosa por promover, fornecer e incentivar o uso de ketamina – Imagem: Divulgação

Relembrando o caso

Ex-Sinhazinha do Boi Garantido, Djidja Cardoso / Foto : Reprodução Redes Sociais

Djidja Cardoso foi destaque no Festival de Parintins durante cinco edições como sinhazinha do Boi Garantido. Ela foi encontrada morta no dia 28 de maio de 2024 dentro de sua residência no bairro Cidade Nova em Manaus. O laudo inicial do Instituto Médico Legal (IML) indicou edema cerebral que afetou as funções cardíacas e respiratórias. A principal linha investigativa sempre girou em torno da suspeita de overdose por cetamina.

No dia do falecimento dela, a polícia encontrou frascos enterrados no quintal além de diversos materiais relacionados à droga espalhados pela casa. Em resposta ao crime ocorrido dois dias antes, em 30 de maio de 2024, foi deflagrada a Operação Mandrágora pela Polícia Civil que resultou na prisão da mãe, irmão e empregados da família.

As investigações mostraram que Cleusimar e Ademar lideravam um grupo que promovia o uso da droga sob alegações espirituais. O caso tem sido acompanhado com atenção desde seu início por veículos locais com matérias exclusivas sobre os laudos médicos envolvidos, depoimentos relevantes e desdobramentos judiciais que culminaram na anulação da primeira condenação ocorrida em setembro de 2025 devido a falhas processuais apontadas pelo Ministério Público.

A sentença inicial havia sido proferida pelo juiz Celso de Paula em dezembro de 2024 com penas próximas aos 11 anos para sete réus. Após a anulação do julgamento anterior, o caso retornou à primeira instância onde novas provas foram apresentadas resultando nas atuais condenações.

A situação continua gerando repercussão significativa devido à combinação entre fama pública, práticas sectárias relacionadas ao consumo abusivo dessa substância veterinária além dos salões utilizados como fachada para distribuir a droga. Até o momento, não houve pronunciamento oficial por parte dos advogados dos condenados sobre essa recente decisão judicial.

Imagem: Divulgação

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