quinta-feira, junho 4

Antiga estrutura de madeira de 5 mil anos é descoberta sob ilha artificial na Escócia

Uma equipe de pesquisadores britânicos fez uma descoberta significativa ao encontrar uma antiga estrutura de madeira sob uma pequena ilha artificial no Loch Bhorgastail, localizada na Ilha de Lewis, na Escócia. Com cerca de 5 mil anos de idade, essa construção é anterior a monumentos icônicos como Stonehenge e pode oferecer novos insights sobre a organização das comunidades neolíticas que se estabeleceram em áreas próximas a corpos d’água.

O artigo que relata essa descoberta foi elaborado por grupos da Universidade de Southampton e da Universidade de Reading, sendo publicado recentemente na revista Advances in Archaeological Practice. A pesquisa focou em um crannog, que é uma estrutura comum em lagos, pântanos ou estuários na Escócia, Irlanda e País de Gales. Contudo, ainda há discussões sobre o propósito exato dessas construções.

Detalhes da descoberta

Os arqueólogos descobriram uma plataforma circular feita de madeira com aproximadamente 23 metros de diâmetro. A estrutura estava inicialmente coberta por uma camada de galhos e foi posteriormente revestida com pedras. Ao longo dos séculos, o local passou por diversas modificações: cerca de 2 mil anos após sua construção original, foi adicionada uma nova camada de galhos e pedras durante o período do Bronze Médio; outra alteração ocorreu aproximadamente mil anos depois. Em um período da história, a ilha esteve conectada à margem através de uma calçada de pedra que hoje se encontra submersa.

Além da construção em madeira, os cientistas recuperaram centenas de fragmentos de cerâmica do Neolítico nas águas circundantes, incluindo restos de tigelas e jarros que continham resíduos alimentares.

A Dra. Stephanie Blankshein, principal autora do estudo, comentou: “Ainda não temos clareza sobre o motivo da construção dessas ilhas, mas a quantidade de recursos e o trabalho necessário para sua edificação indicam a existência de comunidades complexas. Esses locais parecem ter sido significativos para as atividades sociais comunitárias, como cozinhar ou celebrar eventos.”

Técnica utilizada na pesquisa

A equipe utilizou um método baseado em estereofotogrametria para mapear o sítio, criando modelos tridimensionais a partir de imagens capturadas sob diferentes ângulos. Essa técnica possibilitou a documentação tanto da parte visível quanto da submersa da estrutura em um único modelo contínuo — algo que as abordagens arqueológicas tradicionais muitas vezes não conseguem realizar.

Imagem: Divulgação

A pesquisa também destaca os desafios enfrentados pela arqueologia em áreas costeiras e águas rasas: muitas tecnologias geofísicas são eficazes em terra firme ou profundidades maiores, mas não funcionam bem em locais com menos de um metro de profundidade. Para superar essas limitações, os pesquisadores utilizaram duas pequenas câmeras subaquáticas acopladas a uma estrutura fixa que produziu imagens sobrepostas para corrigir distorções causadas pela água; essa configuração foi posicionada com precisão milimétrica por mergulhadores.

Essas investigações ampliam o conhecimento sobre os crannogs e fornecem informações valiosas para entender o papel dessas ilhas nas atividades comunitárias durante o Neolítico e épocas posteriores.

Com informações complementares disponíveis