
O carnavalesco André Rodrigues anunciou na segunda-feira (16) sua saída da Portela, um dia após o desfile da escola na Marquês de Sapucaí. A decisão foi comunicada por meio de um longo desabafo nas redes sociais, no qual ele afirma ter enfrentado sobrecarga de responsabilidades e ataques virtuais, inclusive direcionados à sua filha de apenas quatro meses.
“Hoje eu, sozinho, decidi me desligar da Portela. Assim como ontem, sozinho, eu me responsabilizei por tanta coisa”, escreveu.
Segundo André, durante a preparação e execução do desfile, ele assumiu funções além das atribuídas ao seu cargo para garantir que a escola entrasse na avenida. Um dos episódios citados foi a necessidade de destravar um carro alegórico para que a Velha Guarda pudesse desfilar.
“Eu não deveria ser a única pessoa na armação que sabia destravar um carro alegórico para garantir que a Velha Guarda desfilasse, mas eu era e fiz”, afirmou.
O carnavalesco também relatou que, além dos desafios operacionais, passou a lidar com ataques nas redes sociais que ultrapassaram o campo profissional. De acordo com ele, publicações passaram a mencionar sua filha, o que pesou na decisão de deixar a escola.
“Honestamente, o ódio de internet não me assusta, mas ajuda a repensar prioridades. Quatro meses, tempo em que eu queria ter estado muito mais presente e não estive para garantir que esse carnaval chegasse na avenida de maneira digna”, escreveu.
Apesar da saída, André declarou amor à escola e agradeceu às equipes, incluindo voluntários que, segundo ele, trabalharam até o último momento para garantir a realização do desfile.
Como foi o desfile
A Portela levou para o Sambódromo da Marquês de Sapucaí um enredo que contou a história do Rio Grande do Sul a partir de Custódio Joaquim de Almeida, príncipe do Benin que viveu na região.
Entre os destaques da apresentação esteve a comissão de frente, que apresentou um “drone gigante” tripulado. Durante a performance, um integrante montado decolou e sobrevoou os demais bailarinos.
No entanto, problemas técnicos marcaram a reta final do desfile. O último carro alegórico entrou na avenida com atraso, abrindo um espaço na pista e forçando a paralisação temporária da apresentação até que o carro alcançasse o restante da escola. A situação pode gerar descontos na pontuação.
Nos minutos finais, a escola precisou acelerar a evolução para não ultrapassar o tempo máximo de 80 minutos, deixando a avenida faltando um minuto para o limite.
A saída do carnavalesco ocorre em meio à expectativa pelo resultado oficial da apuração.
